Sobrevida - Sobreviva...
Às vezes me sinto como se nada fosse suportável, como se as dores que correm meu corpo fossem nunca cessar.
Como se meus olhos fossem cerrar o afável e eu nunca mais fosse viva estar. As pessoas à minha volta podem até nem perceber, mas me sinto assim como ao morrer; o sofrimento que dominou meu ser e agora faz-me falecer. Sinto que meu coração acaba de parar, agora o cérebro não pensa, nada mais faz sentido e sei que não estou propensa a resistir a tudo isso; Será que foi o destino? Será que foram as flores mortas no jardim? Quem será o culpado pela minha condenação? Ou será que não existe?... Senão......posso ser eu mesma...? Posso ter me autocondenado... Posso ter falecido e me matado? Posso ter tido uma overdose, de lágrimas, de soluços, de tristeza; de solidão, de amargura, de coibição, de ser apenas mim mesma; e isso já basta para ser overdose, fatal; letal, instantânea;...porém vagarosa... Morro assim, lentamente, por ser mim mesma todos os dias... Por ter comigo nenhuma alegria, Por me assassinar um pouco por vez; por não sofrer de risos nem de contagia, por sofrer de morte e anemia. Fraqueza nas mãos, mal posso escrever; e meu coração que voltou à bater... Nem percebo, mas vivo novamente, e meu cérebro volta à impulsionar sinais nervosos; que fazem meu corpo reagir... Assim como a borboleta pousa na flor, e voa, e pousa na folha,e voa, e pousa no chão; Eu pouso no delírio, e vôo, e pouso na sanidade, e vôo, e pouso no inconsciente;
E sigo, diariamente, nesta rotina; de voar, e pousar, e voar novamente; até que, no pouso final, me venha o cansaço... E eu precisarei parar de voar; mas até lá, nada pode me impedir de prosseguir com a rotina.
É o que é, e como é a tal rotina?Definirei rotina, pois.É aquela vida em que eu faço sempre a mesma coisa, nada muda, nada as alegra, nada pode entristecê-la em mais, pois o mais já me foi entristecido,nada vem para animar ou exaltar os dias vividos, que nem parecem vividos, pois são de sobrevivência, pois não se pode “viver” com uma rotina e sim resistir a ela ...com “escapes”; não tenho certa definição para esta palavra... Mas gosto de acreditar que sejam aquelas horas em que não sinto nada do que mencionei até agora; quando apenas sinto uma alegria repentina de apenas um átimo de segundo e que me faz pensar na vida que os outros têm; se fosse eu à ter esta vida, se não fosse eu no meu lugar e sim no lugar de outra pessoa... Mas não adianta, ...nada adianta, ...a sobrevida continua a mesma, e tantas as que me foram desabafos, passam à me ser consideradas por vãs e sem destino...
Deixo agora a imaginação Fluir...
minha autoria.
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