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Wednesday, November 09, 2005

Sobrevida - Sobreviva...

Às vezes me sinto como se nada fosse suportável,
como se as dores que correm meu corpo fossem nunca cessar.

Como se meus olhos fossem cerrar o afável
e eu nunca mais fosse viva estar.
As pessoas à minha volta podem até nem perceber,
mas me sinto assim como ao morrer;
o sofrimento que dominou meu ser
e agora faz-me falecer.
Sinto que meu coração acaba de parar,
agora o cérebro não pensa,
nada mais faz sentido
e sei que não estou propensa
a resistir a tudo isso;
Será que foi o destino?
Será que foram as flores mortas no jardim?
Quem será o culpado pela minha condenação?
Ou será que não existe?
... Senão...
...posso ser eu mesma...?
Posso ter me autocondenado...
Posso ter falecido e me matado?
Posso ter tido uma overdose,
de lágrimas, de soluços, de tristeza;
de solidão, de amargura, de coibição,
de ser apenas mim mesma;
e isso já basta para ser overdose,
fatal; letal, instantânea;
...porém vagarosa...
Morro assim, lentamente,
por ser mim mesma todos os dias...
Por ter comigo nenhuma alegria,
Por me assassinar um pouco por vez;
por não sofrer de risos nem de contagia,
por sofrer de morte e anemia.
Fraqueza nas mãos, mal posso escrever;
e meu coração que voltou à bater...
Nem percebo, mas vivo novamente,
e meu cérebro volta à impulsionar sinais nervosos;
que fazem meu corpo reagir...
Assim como a borboleta pousa na flor,
e voa, e pousa na folha,
e voa, e pousa no chão;
Eu pouso no delírio, e vôo,
e pouso na sanidade, e vôo,
e pouso no inconsciente;
E sigo, diariamente, nesta rotina;
de voar, e pousar,
e voar novamente;
até que, no pouso final,
me venha o cansaço...
E eu precisarei parar de voar;
mas até lá,
nada pode me impedir de prosseguir com a rotina.

É o que é, e como é a tal rotina?
Definirei rotina, pois.
É aquela vida em que eu faço
sempre a mesma coisa,
nada muda, nada as alegra,
nada pode entristecê-la em mais,
pois o mais já me foi entristecido,
nada vem para animar
ou exaltar os dias vividos,
que nem parecem vividos,
pois são de sobrevivência,
pois não se pode “viver”
com uma rotina
e sim resistir a ela
...com “escapes”;
não tenho certa definição para esta palavra...
Mas gosto de acreditar
que sejam aquelas horas
em que não sinto nada
do que mencionei até agora;
quando apenas sinto
uma alegria repentina
de apenas um átimo de segundo
e que me faz pensar
na vida que os outros têm;
se fosse eu à ter esta vida,
se não fosse eu no meu lugar
e sim no lugar de outra pessoa...
Mas não adianta,
...nada adianta,
...a sobrevida continua a mesma,
e tantas as que me foram desabafos,
passam à me ser consideradas
por vãs e sem destino...


Deixo agora a imaginação Fluir...



minha autoria.